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Por: MENDES MUTENDA

 

Em nome do povo moçambicano (inocente) quero “eu” pedir a quem de direito que já basta o teatro que vemos todos os dias sobre Aníbal dos Santos Júnior, conhecido por Anibalzinho. Acho que ainda temos muita coisa nesta pátria por pôr em acção ou por consolidar, desde o combate à fome, à nudez, o desemprego, as doenças endémicas, o espírito improdutivo na função pública e o crime organizado. Somos sujeito a assistir teatro ensaiado em torno das “fugas” e/ou retiradas da cadeia da máxima segurança de Moçambique vulgo BO e das celas do comando da cidade de Maputo do principal suspeito e condenado pelo assassinato do saudoso jornalista Carlos Cardoso.
Este teatro, de “borla”, que estamos sujeitos a assistir contribui grandemente para a desacreditação das instituições do Estado Moçambicanas, minando a nossa existência como uma sociedade que se rege pelos princípios democráticos. Basta, justificações aqui e acolá sobre as fugas ou retiradas de Anibalzinho. As justificações tornam-se implausíveis ou inúteis quando apenas nos limitamos a tratar e retratar as tais fugas e não sequer preocuparmos pela responsabilização dos coniventes desta acção. As fugas nas prisões são normais em toda parte do mundo, isso já foi dito, mas às do Aníbal (Animalzinho) tornam-se venenos às nossas instituições públicas porque ninguém é responsabilizado. Quando falo aqui de responsabilização, não é pegar os ditos “peixe-miúdo” - os polícias guardas - meter nas celas. É sobretudo, pessoas que realmente podem tomar decisões deste nível, para a soltura do então mecânico do Alto Maé.
Chego a acreditar que este caso nunca mesmo será esclarecido, pela maneira como as coisas são feitas e como são ditas. Precisava mesmo tanto secretismo para confirmar a captura ou o regresso de Anibalzinho às celas do comando da cidade de Maputo? Afinal o que os membros do Governo ganhariam ou ganharam com o tal secretismo? No meu ponto de vista, quanto a intervenção de sábado do Ministro do Interior de Moçambique, José Pacheco e de outros tantos que se seguiram até domingo podiam ter beneficio da dúvida, pois tratava-se de um fim-de-semana e quando é assim, no nosso país, os telefones fixos da Função Pública estão desligados para se puder confirmar junto da Polícia Sul África, mas a de segunda-feira e de terça-feira da Ministra da Justiça, Benvinda Levi e do Porta-voz do Conselho de Ministro, Luís Covane respectivamente -  chegaram a falar de especulação por parte da imprensa - deixaram a desejar.
Da maneira como este assunto de fugas ou saídas de Ani(b)malzinho da prisão está a ser tratado dá para crer que o terreno está fertilizado para não encontrarmos a mão estranha que está por detrás desta comédia. Este teatro, assim o considero, está servir como um instrumento pedagógico – do ponto de vista negativo – medição do quão vai o nosso processo de combate ao deixa-andar e à corrupção, que são as bandeiras do quinquénio prestes a terminar do Presidente Guebuza.
Falei a momentos dos prejuízos que estão por detrás deste teatro, sobretudo no capítulo, da desacreditação das instituições do estado. De tudo que a policia dizia que era especulação, a mesma acabou por confirmar quase toda a informação que vinha sendo avançada pela imprensa, dando conta da recaptura de Anibalzinho. Justifica que mentiu ou ocultou a verdade por questões de segurança “garantir a segurança durante a transferência do criminoso da Pretória para Maputo”.
Como muitos sabem, quando alguém mente ou oculta uma informação, quem me (nos) garante que a mesma mentira estará a ser fabricada sobre os mandantes ou os que soltam Aníbal quando querem, quando entendem? O anibalzinho está a se tornar num cancro que o próprio Governo dificilmente vai se livrar dela, mesmo de que operação for. O povo não esquece. Dizia o saudoso camarada presidente Samora que “a partir da imprensa, devemos dizer tudo ao povo, tudo mesmo incluindo nossos erros…”. Acho eu que aqui é onde há problemas (reconhecer os nossos erros).
Da maneira como Anibalzinho e outros tantos, obtém os documentos de identificação (Bilhete de Identidade, Passaporte, Carta de Condução), dá mesmo para acreditar que a assassinato do jornalista Carlos Cardoso, muitas pessoas estão mesmo envolvidas – pessoas quem têm até agora algum ou ligadas ao poder decisão.
Se as três “fugas” que empreendeu dos calabouços (uma das quais a partir da dita cadeia de “máxima segurança” do País, conhecida por B.O, na Machava) já puseram em dúvida à seriedade do Estado moçambicano por todas as circunstâncias em que se deram levarem antes a concluir que foi tirado, como aliás ele próprio tem dito, desta vez, Anibalzinho provou, em definitivo, que o crime organizado se sobrepõe ao poder executivo do Estado e está intimamente relacionado com um Estado infectado.
O mediático criminoso, condenado a mais de 29 anos de prisão pelo assassínio do jornalista Carlos Cardoso, pôs em causa, mais uma vez, a seriedade dos serviços do Estado, falsificando a mais recente carta de condução, electronicamente produzida, e criada com tão fortes dispositivos de segurança. Esta “carta electrónica”, tipo cartão de crédito, quando se iniciou o seu uso corrente, foi apresentada como praticamente impossível de ser sujeita a contrafacção. Mas Anibal dos Santos Júnior tinha em seu poder uma com outro nome. E tinha também consigo um passaporte moçambicano, verdadeiro, mas com nome falso, o mesmo da carta.
Na conferência de imprensa em que se falou da recaptura de Anibalzinho, a Polícia exibiu aos jornalistas, um passaporte moçambicano com o número T 024559, e uma carta de condução, também nacional, com o número 6542651/2/1, ambos com fotografias de Aníbal dos Santos Júnior (Anibalzinho), mas ostentando o nome: Maurício Alexandre Mhula. Os dois documentos, conforme o Canalmoz pôde testemunhar, foram emitidos em datas anteriores ao da fuga de Anibalzinho de Maputo, o que reforça a convicção que sempre prevaleceu, isto é, que Anibalzinho foi sempre tirado dos cárceres e nunca fugiu propriamente.
Sobre o passaporte, o inspector policial, e porta-voz do Comando Geral da PRM, Pedro Cossa, conseguiu argumentar com alguma consistência que a foto do criminoso foi sobreposta ao documento que vem registado em nome de Maurício Mhula. Mas em relação à carta de condução electrónica, não há nada que prove que a mesma não foi produzida pelo Instituto Nacional de Viação, com o conhecimento de que a mesma se destinava a Anibalzinho.
Fora a hipótese de que a carta de condução encontrada com Anibalzinho ter sido passada pelo INAV, como agora se procura alegar, é mais grave ainda, saber-se que o que era dado como livre de contrafacção, afinal, é falsificável. Se existe alguém que consegue falsificar este tipo de documento, imitando perfeitamente as marcas de segurança que contém – os símbolos do Estado e até a assinatura do próprio director da instituição que emite cartas de condução nacionais, o INAV – o assunto torna-se bem mais preocupante do que em si já é.
Na breve avaliação conjunta entre os mais de 30 jornalistas presentes na sala em que decorreu a conferência de imprensa, estando também presentes alguns elementos da polícia, não se notou nenhuma marca de falsidade da carta de condução de Anibalzinho, a não ser a disparidade entre o nome e a fotografia.
Alegar-se agora que os funcionários do INAV passaram a carta de condução de Anibalzinho, e o respectivo director a assinou, sem, no entanto, conseguirem identificar a fotografia de Anibalzinho, é inaceitável e ridículo.
Ao mais alto nivelo INAV é dirigido por “antigos combatentes” e veteranos da Polícia.
Até provas contrárias, resta assumir que o crime organizado está fortemente penetrado nos serviços do Estado, desacreditando-o perante os cidadãos moçambicanos e perante o mundo.
Vou mesmo ficar por aqui porque se eu alongar corro o risco de ofender algumas pessoas. Mas a coisa está feia. O meu ponto de vista é apenas um convite para o debate e fico aqui como moderador. Espero teu comentário.

 

publicado por abc às 17:29 | link do post

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