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Por MENDES MUTENDA

 

 
 
Estamos mais uma vez por aqui para falar de coisas pouco decentes à nossa esfera pública, a prostituição. Vezes que insisto em dizer que há coisas que nem valem a pena comentar e a prostituição é uma destas coisas. Fico transtornado quando diariamente vejo imagens a entrar nos nossos ecrãs sem pedir licença com este teor que pouco ou nada ajuda para a moralização da nossa sociedade. Já foi dito, debatido e escrito por muitos mas nunca é demais rescrever o que já foi escrevinhado. Sei que a prostituição resiste desde os tempos remotos, prostituição da Grécia Antiga e Roma, do Israel, do Cristianismo e Idade Média, da Revolução Industrial, dos Séculos XX e XXI e para este texto da zona Centro de Moçambique.
Pesa-me como jovem de poucos anitos interrogar isto ou, acima de tudo, trazer este tema, de novo, ao debate, sabendo de antemão que um mal que quase muito de nós vivos, hoje, nascemos enquanto já ouvíamos, víamos e assistimos coisas do género acontecendo ou praticadas em nossa frente, sem no entanto, termos ideia do que fazer sobre isso. Sabe-se que a prostituição é um mal. Mas, mesmo assim, a quem defende com unhas e garras que é um mal necessário ou uma e outra justificação, aqui e acolá.
A quem possa perguntar o porquê agora abordar este assunto se o mesmo é coisa que dura desde a nossa “existência”? Difícil de responder. Confesso que nem mesmo eu não sei responder porquê da escolha do tema agora. Mas a verdade é única só sei que me apareceu a ideia de que só agora devo falar deste assunto. Não disse nada não é? Aguarde-me nas linhas abaixo.
Começando do Zimbabwe até a costa do Indico há um pouco desse mal que se espalha pelo mundo fora. As províncias de Manica e Sofala, na zona Centro de Moçambique, constituem nesta óptica, o prolongamento da prostituição do Zimbabwe à costa do oceano Indico bem (“mal”) como o alastramento da crise zimbabweana. Uma crise politica que sem sombra de dúvida agrava a pobreza que graça esta gente encravada entre rios, Save e Zambeze.
Trazendo aqui um conceito emprestado, a prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afectivos ou prazer. Apesar de comummente a prostituição consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra. Pode-se trocar relações sexuais por favorecimento profissional, por bens materiais (incluindo-se o dinheiro), por informação, etc.
A prostituição é praticada mais comummente por mulheres, mas há um grande número de casos de prostituição masculina em diversos locais ao redor do mundo.
Para tentar ser objectivo nesta minha abordagem, só vou direccionar atenções para a relação de troca entre sexo e dinheiro na zona Centro de Moçambique ou seja, zimbabweanas, Moçambicanos e outros e a prostituição.
Está cada vez mais difícil andar por qualquer parte deste mundo sem se lidar com a prostituição nas pousadas. Há cada vez mais uma degradação acentuada do valor do sexo, quando olhamos no contexto da procriação. Gente que se expõe a todo momento nas ruas, hotéis, pensões e residenciais para a qualquer oportunidade que lhes aparecem, fazer dos hospedes de uma cidade, colegas do acaso, suas vitimas.
A zona Centro de Moçambique por estes dias constitui um atentado para quem não resiste as tentações do sexo exposto. Há muitas zimbabweanas que fugindo da fome ou da escassez de alimento no seu país, têm esta zona como um viveiro para fazerem do seu sexo, um autêntico negocio. Negócio que diga-se em abono da verdade, negócio pobre e empreendimento arriscado. Por aquilo que já ouvi e já presencieis – não como vitima da prostituta -  quando me desloco em missão de serviço por algumas províncias, noto que do meio-dólar ou pouco menos que as tais prostitutas cobram por cada acto, nem chega para “matar a fome” muito menos sustentar uma eventual ou pequena doença que vier.
Já ouvi que há prostitutas que quando a esmola do cliente é maior ou mais que dois dólares americanos ou qualquer coisa como 100 meticais, se expõem sem nenhuma protecção, ou seja, sem preservativo, com todo o agravante de perigar a sua própria saúde e de toda uma sociedade. Sociedade - no contexto de pessoas inidóneas que circundam a prostituta - a ser é obrigada a somar mais despesas das despesas que não conseguem pagar, transportar a doente da prostituição, de casa ao hospital vice-versa, mais uma divida a funerária para mais um caixão, mais flores para o cemitério e se for o caso da falecida-prostituta ter deixado um filho sem pai assumido, é mais um órfão para a mesma sociedade criar.

É extremamente complicado quando de uma forma repetitiva nos queixamos por coisas que nós mesmos criamos. Já disse o que eu tinha por dizer, mas a verdade é única, apesar de saber que a vida está difícil, não há emprego, há pobreza, não há emprego, a prostituição como prostituição têm vida curta.

 

Por MENDES MUTENDA
publicado por abc às 14:47 | link do post

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